A ansiedade de não saber o que acontecerá na história
Existe um momento da escrita em que a história para de obedecer.
Você começa com uma personagem, uma situação, talvez até um final provisório. Depois de algumas páginas, porém, percebe que não sabe exatamente o que acontecerá. A personagem parece caminhar para um lugar que você não havia previsto. Uma cena que deveria ser simples abre novas perguntas. O romance começa a esconder informações do próprio escritor.
Esse desconhecimento pode ser produtivo.
Quando não sabemos tudo, precisamos prestar mais atenção. Cada frase se torna uma investigação. Escrever deixa de ser apenas registrar uma história já planejada e passa a ser uma maneira de descobri-la.
É nesse espaço que surgem algumas das melhores surpresas. Uma personagem secundária ganha importância. Uma lembrança muda o sentido de uma cena anterior. Um detalhe aparentemente inútil encontra sua função muitas páginas depois.
O problema é que o mesmo desconhecimento que mantém a história viva também pode nos paralisar.
Não saber o próximo passo rapidamente se transforma na suspeita de que não existe próximo passo algum. Começamos a reler o que já foi escrito, a reorganizar capítulos, a pesquisar métodos narrativos e a construir esquemas cada vez mais detalhados. Tudo isso para evitar a única coisa que talvez possa resolver o problema: continuar escrevendo.
A ansiedade exige garantias. Quer saber se a história funciona antes que ela exista.
Mas escrever ficção raramente oferece esse tipo de segurança. Há momentos em que planejar ajuda. Há outros em que o planejamento se torna apenas uma forma sofisticada de procrastinação.
Durante a escrita de la Margarita, muitas vezes eu sabia o que havia acontecido na vida real, mas não sabia o que aconteceria dentro do livro. Os fatos estavam disponíveis. A forma ainda não.
Transformar uma vida em narrativa não significava apenas colocar os acontecimentos na ordem correta. Eu precisava descobrir quais lembranças conversavam entre si, quais silêncios tinham peso e qual versão da minha mãe surgiria daquela organização.
Essa descoberta não poderia acontecer inteiramente antes da escrita. Ela precisava acontecer por meio dela.
Talvez a diferença entre o desconhecimento produtivo e o destrutivo esteja no movimento. Quando não saber nos leva a escrever uma cena, experimentar uma voz ou seguir uma personagem, a incerteza trabalha a favor do texto. Quando nos faz abandonar a história até que todas as respostas apareçam, ela começa a destruí-la.
Nem toda dúvida é sinal de que o romance está falhando.
Às vezes, a dúvida é apenas o lugar onde a história ainda está sendo criada.

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