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Mostrando postagens de agosto, 2026

Os autores que continuam voltando para minha estante

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No post anterior , escrevi sobre como minha lista de leituras acabou se tornando uma espécie de autobiografia involuntária. Ao relê-la, encontrei fases da minha vida que já não lembrava com tanta clareza. Mas ela revela outra coisa. Alguns autores aparecem apenas uma vez. Outros continuam voltando. É curioso perceber isso. Ao longo de tantos anos, certos escritores nunca foram embora. Eles reaparecem quando começo um projeto novo, quando termino um livro, quando sinto que minha escrita ficou excessivamente confortável ou simplesmente quando preciso lembrar por que comecei a escrever. Durante muito tempo achei que isso acontecia porque eram meus autores favoritos. Hoje penso diferente. Talvez existam autores de quem gostamos. E existam autores com quem passamos a conversar. Um livro termina. Uma conversa não. Quando terminamos um romance de que gostamos muito, costumamos dizer que ele “acabou”. Na prática, alguns nunca acabam. Eles continuam trabalhando em silêncio. Anos dep...

O que minha lista de leituras revela sobre as fases da minha vida

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Desde 2009, anoto os livros que leio. 1 No começo, a lista tinha uma função bastante simples: impedir que eu esquecesse os títulos. Não havia método, análise nem intenção de construir um retrato da minha formação. Eu terminava um livro, escrevia o nome e seguia para o próximo. Dezessete anos depois, a lista já não parece apenas uma lista. Quando observo tudo em conjunto, percebo que os livros formam uma espécie de linha do tempo paralela. Eles registram meus interesses, minhas obsessões, as perguntas que eu fazia e até assuntos dos quais eu provavelmente tentava me aproximar sem saber exatamente por quê. Uma lista de livros também é uma autobiografia Existem anos em que eu parecia querer descobrir o mundo inteiro. Li clássicos, romances juvenis, poesia, quadrinhos, distopias e livros que provavelmente não colocaria hoje numa lista pública dos meus favoritos. Justamente por isso, o registro completo é mais interessante do que uma seleção bem-comportada. Uma lista de favoritos mos...

asas de metal

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O anjo de asas de metal Durante boa parte da minha infância sonhei com o mesmo anjo. Não sei exatamente quando começou. Devia ter uns oito anos. Também não lembro quando terminou. Talvez aos treze, pouco antes de nos mudarmos da Argentina para o Brasil. O que sei é que, durante anos, o sonho voltava. Era sempre à noite. Eu corria por ruas vazias enquanto um anjo voava acima de mim. Não tentava me alcançar. Não dizia uma palavra. Apenas me seguia. Eu corria. Tentava gritar. Nenhum som saía da minha boca. O detalhe mais estranho é que suas asas não eram feitas de penas. Eram de metal. Durante muito tempo pensei que o que havia permanecido comigo fosse o medo. Afinal, era um pesadelo recorrente. Mas, muitos anos depois, percebi que minha memória havia escolhido guardar outra coisa. Sempre que penso naquele sonho, a primeira imagem que me vem à cabeça não é a da perseguição. É a da luz. A luz da noite refletindo naquele metal. É curioso como a memória funciona....