Postagens

Mostrando postagens com o rótulo Mentiras Que Contamos

O primeiro amor como uma ferida que aprende a escrever

Imagem
Imagem gerada pelo ChatGPT. Há livros que não parecem ter sido escritos para contar uma história. Parecem ter sido escritos porque uma história, depois de muitos anos, continuou batendo do lado de dentro. Mentiras que contamos , de Philippe Besson, me parece um desses livros. A trama começa com um tipo de assombração muito simples: um rosto. O narrador vê um homem jovem que lembra Thomas, seu primeiro amor, e essa semelhança abre uma porta no tempo. Não é uma lembrança organizada. Não é uma nostalgia educada. É uma invasão. De repente, o passado volta com a violência das coisas que nunca foram completamente enterradas. E talvez seja isso que mais me interessa no livro: a ideia de que o primeiro amor não termina exatamente. Ele muda de estado físico. Primeiro é corpo. Depois é ausência. Depois é memória. Depois, se houver sorte — ou condenação — vira literatura. Thomas não é apenas uma pessoa amada. Ele é também um lugar. Um lugar onde o narrador descobriu o desejo, o medo, a vergonha, ...