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Morrer em uma cidade que não para: O ano em que morri em Nova York, Paris e The Mountain Goats

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Existe uma fantasia muito persistente de que uma viagem pode nos salvar. Não digo salvar no sentido turístico da coisa — descansar, conhecer lugares, tirar fotos, comer melhor, caminhar mais. Digo salvar num sentido quase religioso: sair de um lugar para que uma versão antiga de nós fique para trás. Como se bastasse atravessar o oceano para que a tristeza perdesse o endereço. Como se a depressão tivesse preguiça de passar pela imigração. Mas não é assim. A tristeza viaja junto. Talvez nenhuma música do The Mountain Goats diga isso de forma mais direta do que “Up the Wolves” . Há uma imagem ali que sempre me pareceu brutal: a de que existe um fantasma no fundo do armário, não importa onde você more. Essa é uma frase quase perfeita sobre a inutilidade parcial das fugas. Porque a gente costuma imaginar o trauma como uma coisa presa ao lugar. A casa antiga. O quarto antigo. A cidade antiga. O relacionamento antigo. Então, em algum ponto, parece lógico pensar: se eu sair daqui, se eu ...