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Ser Escritor: Um Caminho Solitário de Persistência e Dúvida

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    “Ser escritor é um trabalho estranho. Não é como ser encanador: você não pode parar. Você nunca sabe se está certo, se está melhorando ou se alguém vai se interessar. Você tem que confiar na sua própria percepção para saber se está indo a algum lugar ou apenas se repetindo. Não há nada que você possa fazer, exceto continuar.” — Paul Auster

A Arte do Jogo, de Chad Harbach

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  Essa é a sensação que   A Arte do Jogo   nos dá. Henry Skrimshander, um jovem craque do beisebol, parece estar destinado ao sucesso. Mas a perfeição física e mental que o define começa a desmoronar depois de um único erro no campo. E aí Harbach nos pergunta: o que acontece quando o que sempre funcionou simplesmente para de funcionar? O braço de Henry, antes infalível, vira uma metáfora clara. Não só para a fragilidade física, mas para o que significa ser humano. É como se todos nós, em algum momento, fôssemos indestrutíveis, até que a vida nos prova o contrário. E, de certa forma, é aqui que o livro brilha — nos mostra que falhar faz parte do processo. Que aceitar nossas vulnerabilidades nos ajuda a crescer. O braço de Henry, com toda a sua glória e decadência, nos força a refletir sobre como lidamos com as expectativas (nossas e dos outros) e sobre como nos levantamos quando falhamos. Outro ponto que se destaca é a relação entre Mike Schwartz e seu pai. Não é só uma re...

If This Isn’t Nice, What Is?: Humanismo e Empatia segundo Kurt Vonnegut

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  Kurt Vonnegut sempre pareceu mais interessado no calor humano do que no espetáculo da genialidade, como se fosse possível encontrar mais sentido numa conversa casual com um vizinho do que na mais acalorada das conferências. If This Isn’t Nice, What Is? é a sua celebração da bondade que, apesar de tudo, ele acreditava existir nas pessoas. Essa crença, um tanto ingênua aos olhos cínicos, era para ele quase uma missão. Ao longo dos discursos reunidos nesse livro, Vonnegut constrói um mosaico que, peça por peça, devolve a nossa confiança na empatia. A frase “é preciso se cuidar um do outro” não surge como uma ordem moral, mas como um caminho para encontrarmos, no outro, as respostas que não conseguimos achar sozinhos. Nas palavras dele, essa busca pela empatia é a verdadeira jornada heroica, a única capaz de nos salvar de uma sociedade cada vez mais despersonalizada, onde o valor das coisas supera o valor das pessoas. O humanismo de Vonnegut aparece, então, sem alarde, quase como um ...

Quem Matou Meu Pai, de Édouard Louis

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No livro Who Killed My Father, Édouard Louis faz uma crônica íntima e feroz da marginalização da classe trabalhadora na França, usando a figura do pai como símbolo das políticas desumanizadoras que destroem corpos e vidas. Com uma prosa que mescla memória e manifesto político, Louis explora como a masculinidade tóxica e a opressão social se entrelaçam, delineando as causas e consequências de uma vida desprovida de escolhas. Louis, em um trecho pungente, escreve: “A pobreza te mutila. Ela te impede de se levantar. Ela rouba até sua capacidade de sonhar.” Essa frase encapsula a dor intergeracional de um sistema que desvaloriza seres humanos e que, segundo o autor, sentencia indivíduos a existências precárias. Ao ler, somos confrontados com perguntas profundas sobre responsabilidade: quem realmente “matou” seu pai? A resposta se revela uma acusação implacável ao sistema político que negligência os mais pobres. Louis reforça essa ideia com outra citação impactante: “A política destruiu seu...