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Mostrando postagens de janeiro, 2026

Ser uma xícara transbordante

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  Will Hart from Fullerton, U.S.A. ,  CC BY 2.0 , via Wikimedia Commons “Nunca ficamos de fora de nada. Somos xícaras, sendo silenciosa e constantemente preenchidas. O truque é saber como nos inclinar e deixar as coisas bonitas saírem.” — Ray Bradbury

Leitura, Escrita e Narrativa

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  Gage Skidmore from Peoria, AZ, United States of America ,  CC BY-SA 2.0 , via Wikimedia Commons “Sempre que me perguntam que conselho eu tenho para jovens escritores, eu sempre digo que a primeira coisa é ler, e ler muito. A segunda coisa é escrever. E a terceira coisa, que eu acho absolutamente vital, é contar histórias e ouvir atentamente as histórias que estão sendo contadas para você.” — John Green

A Trama do Casamento – Jeffrey Eugenides

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  Rodrigo Fernández ,  CC BY-SA 4.0 , via Wikimedia Commons Jeffrey Eugenides, autor de A Trama do Casamento, é conhecido por sua capacidade de explorar os meandros da condição humana através de narrativas densas e personagens profundamente complexos. Em seu processo de escrita, Eugenides mergulha em temas como amor, identidade e o peso do conhecimento acadêmico, criando um romance que é ao mesmo tempo uma homenagem aos grandes romances do século XIX e uma crítica afiada às expectativas modernas. Neste post, vou explorar algumas das reflexões de Eugenides sobre o ato de escrever, acompanhadas de comentários breves que oferecem uma visão pessoal sobre como esses insights se manifestam em sua obra. “As pessoas não salvam outras pessoas de si mesmas. Se elas querem se matar, elas fazem isso. Não é porque você não disse a coisa certa ou porque não as amou o suficiente.” Eugenides destaca aqui uma das verdades mais cruéis da vida humana, algo que ele explora profundamente em The Ma...

O Uso de IA na Escrita de Ficção: Uma Nova opção na Caixa do Escritor

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Esta imagem foi gerada com a assistência da IA ​​(DALL-E). Todo mês de novembro, uma legião de escritores, aspirantes e até mesmo aqueles que mal têm tempo para terminar de ler o rótulo do xampu, embarcam em uma missão audaciosa: escrever um romance de 50.000 palavras em 30 dias. Isso é o NaNoWriMo – National Novel Writing Month. Se você nunca ouviu falar, imagine um maratonista literário, mas ao invés de tênis, ele calça… bem, seus dedos e um teclado. A ideia é simples: escreva muito e rápido, edite depois (bem depois!). E aí, entra a polêmica: será que usar Inteligência Artificial (IA) para dar uma mãozinha nessa corrida literária é trapaça? Algumas pessoas dizem que sim, que é como usar uma bicicleta numa maratona. Mas sejamos sinceros: quem não gostaria de um pequeno empurrãozinho tecnológico quando o cérebro decide que é hora de uma pausa para o café (ou para procrastinar nas redes sociais)? Estímulo à Criatividade (Ou Quando o Bloqueio Criativo Se Torna Um Tiranossauro) Ah, o fam...

A Metáfora de Jonathan Safran Foer sobre Escrita

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   “Escrever é como arrancar os dentes da própria uretra.” - Jonathan Safran Foer.

Aprenda a Escrever com Margaret Atwood: Supere o Fracasso na Escrita

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 “Você se torna um escritor escrevendo. Não há outra maneira. Então faça. Faça mais. Faça de novo. Faça melhor. Fracasse. Fracasse melhor.” - Margaret Atwood.

Kurt Vonnegut: Meditação por Meio da Leitura e Escrita

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“Acredito que ler e escrever são as formas mais nutritivas de meditação que alguém já encontrou. Ao ler os escritos das mentes mais interessantes da história, meditamos com nossas próprias mentes e com as deles também. Isso para mim é um milagre.” - Kurt Vonnegut.

Stephen King e a Liberdade da Escrita Criativa

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  “Então, tudo bem — aí está você no seu quarto com a persiana abaixada, a porta fechada e o plugue retirado da base do telefone. Você explodiu sua TV e se comprometeu a escrever mil palavras por dia, aconteça o que acontecer. Agora vem a grande questão: sobre o que você vai escrever? E a resposta igualmente grande: qualquer coisa que você queira muito.” ― Stephen King.

Nicole Krauss e a busca pela simetria

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  Parte do trabalho de escrever um romance é descobrir essas simetrias ou conexões que o tornam inteiro, o que pode não se revelar a princípio. Tenho um senso muito forte de arquitetura em meus romances. Mas, sim, a princípio às vezes é como construir uma maçaneta antes de ter uma porta, e uma porta antes de ter um cômodo. Nicole Krauss em  entrevista com Tara Jefferson

Han Kang Ganha o Nobel de Literatura por “A Vegetariana”

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Hoje, Han Kang foi laureada com o Prêmio Nobel de Literatura por seu impactante romance A Vegetariana, uma obra que mergulha profundamente nos temas da identidade, liberdade e na resistência silenciosa contra as convenções. A história segue Yeong-hye, uma mulher que decide parar de consumir carne após um sonho sangrento, desencadeando uma série de reações e conflitos com sua família e com a sociedade ao seu redor. Dividido em três partes, o livro é narrado por três pessoas diferentes: seu marido, seu cunhado e sua irmã, In-hye. Cada perspectiva revela um fragmento da vida de Yeong-hye, enquanto ela tenta, de maneira passiva, resistir à pressão social e seguir seus próprios instintos, que se tornam cada vez mais radicais. O leitor acompanha sua transformação e a crescente alienação que ela sofre, chegando a um ponto em que seu desejo de desconectar-se do mundo humano a leva a tentar se tornar uma planta, numa espécie de fusão com o mundo vegetal. A Vegetariana questiona os limites da au...

Ser Escritor: Um Caminho Solitário de Persistência e Dúvida

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    “Ser escritor é um trabalho estranho. Não é como ser encanador: você não pode parar. Você nunca sabe se está certo, se está melhorando ou se alguém vai se interessar. Você tem que confiar na sua própria percepção para saber se está indo a algum lugar ou apenas se repetindo. Não há nada que você possa fazer, exceto continuar.” — Paul Auster

A Arte do Jogo, de Chad Harbach

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  Essa é a sensação que   A Arte do Jogo   nos dá. Henry Skrimshander, um jovem craque do beisebol, parece estar destinado ao sucesso. Mas a perfeição física e mental que o define começa a desmoronar depois de um único erro no campo. E aí Harbach nos pergunta: o que acontece quando o que sempre funcionou simplesmente para de funcionar? O braço de Henry, antes infalível, vira uma metáfora clara. Não só para a fragilidade física, mas para o que significa ser humano. É como se todos nós, em algum momento, fôssemos indestrutíveis, até que a vida nos prova o contrário. E, de certa forma, é aqui que o livro brilha — nos mostra que falhar faz parte do processo. Que aceitar nossas vulnerabilidades nos ajuda a crescer. O braço de Henry, com toda a sua glória e decadência, nos força a refletir sobre como lidamos com as expectativas (nossas e dos outros) e sobre como nos levantamos quando falhamos. Outro ponto que se destaca é a relação entre Mike Schwartz e seu pai. Não é só uma re...

If This Isn’t Nice, What Is?: Humanismo e Empatia segundo Kurt Vonnegut

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  Kurt Vonnegut sempre pareceu mais interessado no calor humano do que no espetáculo da genialidade, como se fosse possível encontrar mais sentido numa conversa casual com um vizinho do que na mais acalorada das conferências. If This Isn’t Nice, What Is? é a sua celebração da bondade que, apesar de tudo, ele acreditava existir nas pessoas. Essa crença, um tanto ingênua aos olhos cínicos, era para ele quase uma missão. Ao longo dos discursos reunidos nesse livro, Vonnegut constrói um mosaico que, peça por peça, devolve a nossa confiança na empatia. A frase “é preciso se cuidar um do outro” não surge como uma ordem moral, mas como um caminho para encontrarmos, no outro, as respostas que não conseguimos achar sozinhos. Nas palavras dele, essa busca pela empatia é a verdadeira jornada heroica, a única capaz de nos salvar de uma sociedade cada vez mais despersonalizada, onde o valor das coisas supera o valor das pessoas. O humanismo de Vonnegut aparece, então, sem alarde, quase como um ...

Quem Matou Meu Pai, de Édouard Louis

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No livro Who Killed My Father, Édouard Louis faz uma crônica íntima e feroz da marginalização da classe trabalhadora na França, usando a figura do pai como símbolo das políticas desumanizadoras que destroem corpos e vidas. Com uma prosa que mescla memória e manifesto político, Louis explora como a masculinidade tóxica e a opressão social se entrelaçam, delineando as causas e consequências de uma vida desprovida de escolhas. Louis, em um trecho pungente, escreve: “A pobreza te mutila. Ela te impede de se levantar. Ela rouba até sua capacidade de sonhar.” Essa frase encapsula a dor intergeracional de um sistema que desvaloriza seres humanos e que, segundo o autor, sentencia indivíduos a existências precárias. Ao ler, somos confrontados com perguntas profundas sobre responsabilidade: quem realmente “matou” seu pai? A resposta se revela uma acusação implacável ao sistema político que negligência os mais pobres. Louis reforça essa ideia com outra citação impactante: “A política destruiu seu...